sexta-feira, 19 de junho de 2015

A absoluta tranquilidade da alma


O objectivo último do monge e a perfeição do coração consistem numa perseverança ininterrupta na oração.
 
Tanto quanto é dado à fragilidade humana, trata-se de um esforço em direcção a uma absoluta tranquilidade da alma e a uma perfeita pureza de coração.
 
É por esta razão que devemos afrontar os trabalhos corporais e procurar por todos os meios a verdadeira contrição do coração, com uma constância que não desfaleça.
Para ter... o fervor e a pureza que deve ter, a oração exige uma fidelidade total no que respeita aos seguintes aspetos.
Em primeiro lugar, uma libertação completa de todas as inquietações relacionadas com este mundo; não pode haver assunto algum ou qualquer interesse que não deva ser totalmente excluído.
 
Do mesmo modo, renunciar à maledicência, à coscuvilhice, à palavra vã e à zombaria.
Acima de tudo, suprimir definitivamente as perturbações da cólera e da tristeza.
Fazer morrer em si todo o desejo carnal e o apego ao dinheiro.
Após esta purificação, que assegura a pureza e a simplicidade, há que lançar o fundamento inquebrantável de uma humildade profunda, capaz de sustentar a torre espiritual que se pretende que chegue ao Céu.

Por fim, para que sobre ela repouse o edifício espiritual das virtudes, é preciso proibir à alma toda a dispersão em divagações e pensamentos fúteis.
Então, um coração purificado e livre começa pouco a pouco a elevar-se até à contemplação de Deus e à intuição das realidades espirituais.

S. João Cassiano in Conferências, n°9; SC 34

segunda-feira, 15 de junho de 2015

"Consolai o vosso Deus"

As palavras do Anjo são fortíssimas, especialmente quando pensamos que disse isto a três crianças.
Primeira Aparição
A primeira aparição do Anjo teve lugar na Loca do Cabeço, um local dos arredores de Aljustrel. Era um dia chuvoso naquela primavera de 1916. Na Loca do Cabeço havia umas pequenas grutas, que ainda hoje se podem visitar, onde os pastorinhos se abrigavam. Ao acalmar-se a tempestade, saíram da gruta e foi quando se levantou um vento forte.
A pouca distância deles, no meio do olival, depararam-se com uma figura que tinha "A forma de um jovem de 14-15 anos, mais branco que a neve e transparente como o cristal atravessado pelos raios do sol, e muito belo", segundo palavras de Lúcia. Aproximou-se deles e disse "Não tenhais medo. Eu sou o Anjo da Paz. Rezai comigo."
Ajoelhou-se e inclinando o rosto até ao chão pediu para rezarem três vezes "Meu Deus, eu acredito, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão pelos que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam."
Depois levantou-se e disse "Orai assim. Os corações de Jesus e de Maria estão atentos à voz das vossas suplicas." Dito isto o Anjo mais branco que a neve deixou as três crianças.
Durante o resto do dia as crianças sentiram-se tão bem, que nem eram capazes de comentar o sucedido entre eles. O Francisco rezou de acordo com aquilo que a sua irmã (Jacinta) e a sua prima (Lúcia) lhe disseram, na medida em que via o Anjo mas não o ouvia.
 
Segunda Aparição
A segunda aparição teve lugar cerca de dois meses mais tarde. O local escolhido desta vez não foi a Loca do Cabeço, mas o poço situado atrás da casa dos país da Lúcia. Era hora de sesta e tudo estava calmo, apenas as crianças brincavam nas traseiras da casa quando de súbito se depararam novamente com a imagem do Anjo que disse: "O que fazem? Rezai, Rezai muito. Os corações de Jesus e de Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios."
A Lúcia perguntou ao Anjo como se deveriam comportar. "De tudo o que puderdes, oferecei um sacrifício ao Senhor em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de suplica pela conversão dos pecadores."
Os pastorinhos ficaram com estas palavras guardadas. Começaram então a fazer sacrifícios e a rezar a oração que o Anjo lhes ensinou.
 
Terceira Aparição
No Outono do mesmo ano encontravam-se os pastorinhos a rezar a oração que o Anjo lhes ensinara, no local onde acontecera a primeira aparição, na Loca do Cabeço, quando de subitamente o Anjo lhes aparece novamente. Nesta aparição o Anjo se apresentou-se com um Cálice na mão esquerda e uma Hóstia na mão direita sobre o Cálice e da qual caiam pingas de sangue.
O Anjo ajoelhou-se ao lado dos pastorinhos, deixando o Cálice e a Hóstia suspensos no ar, enquanto lhes pedia para rezarem três vezes a seguinte oração: "Santíssima Trindade Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Sacratíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores."
 
O Anjo levantou-se, tomou com ele o Cálice e a Hóstia que tinham ficado suspensos, deu a Hóstia à Lúcia e o conteúdo do Cálice ao Francisco e à Jacinta dizendo: "Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o Vosso Deus."

João Silveira

sábado, 6 de junho de 2015

A Aridez espiritual

A vida espiritual de todo cristão passa por diversas fases. Uma delas, bastante difícil, é aquela chamada de "aridez", na qual a alma parece estar num deserto e se caracteriza por uma espécie de falta de apetite espiritual, um fastio. Nessa fase, estar com Deus, sobretudo na oração pessoal, torna-se um fardo.
A aridez do espírito nada tem a ver com a chamada "noite escura da alma", oriunda do pensamento de São João da Cruz, que se constitui numa purificação passiva da alma perpetrada por Deus e endereçada às almas que estão mais avançadas espiritualmente e é algo incomum. Para os demais, principiantes na vida espiritual, por assim dizer, o que ocorre é a aridez espiritual. Como lidar com ela? Quais são as suas causas?
Para responder a essas perguntas é preciso, antes de tudo, ter uma visão sobrenatural da própria vida espiritual. Quando se está somente sob a perspectiva carnal, as consolações permitidas por Deus (comuns no início da caminhada espiritual), tornam-se um sinal de progresso e, da mesma forma, quando vem a aridez (também comum), ela é vista como sinal de distanciamento de Deus, até mesmo como fracasso.




Contudo, na maior parte das vezes, o fastio é permitido por Deus justamente para que a pessoa obtenha progresso na vida espiritual. É por isso que a visão sobrenatural é importante, pois ela permite receber esses momentos com fé e confiança em Deus.
A aridez espiritual pode ter causa física. Constituído de corpo e mente, o homem terá uma vida espiritual melhor se a sua mente E o seu corpo estiverem bem. Mens sana in corpore sano. Não se fala aqui só de doença, mas também do stress e do ativismo, os quais podem cansar tanto a pessoa que ela se sente incapacitada para a oração. Se o problema for físico, o remédio também será físico, ou seja, é preciso retirar as causas, talvez cuidando da doença, reduzindo o ritmo de vida, descansando um pouco mais, pois é muito difícil crescer na vida espiritual quando o corpo, cansado, está indo no sentido contrário.
A segunda causa da aridez espiritual pode ser psíquica, ou seja, da própria pessoa. Quando não se dá a devida importância à vida de santidade, sendo condescendente com os pecados veniais, apegando-se aos pequenos prazeres etc., tudo isso pode contribuir para que a aridez se instale. O modo de se relacionar com Deus também é determinante, pois se a relação é superficial, baseada apenas numa troca de favores (emprego, finanças, saúde, amor, etc.), Ele se torna apenas um empregado e não o Senhor. Portanto, o apego ao mundo material, uma visão carnal da própria fé e uma relação superficial com Deus podem causar também a aridez espiritual.
Ainda relacionado à segunda hipótese, é possível apontar a tibieza como causa da aridez espiritual. A frouxidão é uma espécie de preguiça espiritual, que leva a pessoa à mornidão, à falta de ardor no servir a Deus. O remédio, portanto, é colocar mais generosidade no serviço a Deus.
Finalmente, a terceira causa da aridez espiritual pode ser espiritual, proveniente de Deus ou do diabo.
Diante da aridez espiritual, a primeira atitude deve ser a de resignação, aceitando a falta de consolação e entendendo que se trata de uma maneira de servir melhor a Deus e procurando auferir dela algum fruto.
A segunda atitude é a de humilhação diante de Deus. Trata-se de um bom momento para se colocar humildemente perante o Senhor, reconhecendo a própria pequenez e o imerecimento de qualquer consolação. É um tempo propício para reconhecer o senhorio de Deus, deixando de exigir consolações como se as merecesse, como se tivesse algum direito.
A terceira postura deve ser a de união a Jesus no Horto das Oliveiras. Nosso Senhor sofreu grandes angústias naquele momento. É possível perceber a dificuldade Dele em rezar, chegando mesmo a suar sangue. Se o próprio Deus sofreu e suportou, o homem também é capaz de sofrer e suportar.
Santo Inácio de Loyola, em seus exercícios espirituais ensina que o remédio para a aridez é a generosidade o que, na prática, significa aumentar o tempo de oração, o tempo dedicado às coisas do Senhor. Contudo, não existe um remédio único, certeiro, pois cada caso é um e, além do mais, existe também a liberdade divina, o desígnio de Deus para cada um de seus filhos que pode implicar também em permitir um tempo sem consolações, conforme já foi dito.
A vida de oração, portanto, não é um parque de diversão, mas sim, um esforço feito por amor que, tanto mais valioso quanto mais sacrificado. Colocar-se em oração, mesmo não querendo, torna este momento muito mais precioso aos olhos de Deus do que outras orações feitas em momentos de consolação.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Gestos diários de imitação e veneração da Mãe de Deus

"Dirijo uma cordial saudação, com votos de graça e paz do Céu, a todos os peregrinos de língua portuguesa, (...).
Neste dia de Nossa Senhora de Fátima, convido-vos a multiplicar os gestos diários de veneração e imitação da Mãe de Deus.
Confiai-Lhe tudo o que sois, tudo o que tendes; e assim conseguireis ser um instrumento da misericórdia e ternura de Deus para os vossos familiares, vizinhos e amigos."

Discurso do Papa Francisco na audiência de 13-05-2015 aos portugueses.

Por favor, obrigado e desculpa

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
A catequese de hoje é como a porta de ingresso de uma série de reflexões sobre a vida da família, a sua vida real, com os seus tempos e os seus acontecimentos.
Sobre esta porta de ingresso estão inscritas três palavras que já utilizei aqui na Praça diversas vezes. E estas palavras são “licença”, “obrigado”, desculpa”.
De fato, estas palavras abrem o caminho para viver bem na família, para viver em paz. São palavras simples, mas não são assim tão simples de colocar em prática! Requerem uma grande força: a força de proteger a casa, também através de mil dificuldades e provações; em vez disso, a falta delas, pouco a pouco, abre rachaduras que podem fazê-la desmoronar.
Nós as entendemos normalmente como as palavras da “boa educação”. Tudo bem, uma pessoa bem educada pede licença, diz obrigado ou se desculpa se erra. Tudo bem, mas a boa educação é muito importante. Um grande bispo, São Francisco de Sales, dizia que “a boa educação é já meia santidade”. Porém, atenção, na história conhecemos também um formalismo das boas maneiras que pode se tornar máscara que esconde a aridez da alma e o desinteresse pelo outro. Há um ditado que diz: “Atrás de boas maneiras se escondem maus hábitos”. Nem mesmo as religiões estão imunes a este risco, que faz escorregar a observância formal na mundanidade espiritual. O diabo que tenta Jesus jorra boas maneiras – é propriamente um senhor, um cavalheiro – e cita as Sagradas Escrituras, parece um teólogo. O seu estilo parece correto, mas a sua intenção é aquela de desviar da verdade do amor de Deus. Nós, em vez disso, entendemos a boa educação nos seus termos autênticos, onde o estilo das boas relações é firmemente enraizado no amor do bem e no respeito do outro. A família vive esta fineza do querer bem.
Vejamos: a primeira palavra é “licença?”.
Quando nos preocupamos de pedir gentilmente também aquilo que talvez pensamos poder esperar, nós colocamos uma verdadeira proteção para o espírito da convivência matrimonial e familiar. Entrar na vida do outro, mesmo quando faz parte da nossa vida, pede a delicadeza de uma atitude não invasiva, que renova a confiança e o respeito. A intimidade, em suma, não autoriza a dar tudo por certo. E o amor, quanto mais íntimo e profundo, tanto mais exige o respeito da liberdade e a capacidade de esperar que o outro abra a porta do seu coração. A este propósito, recordamos aquela palavra de Jesus no livro do Apocalipse: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém escuta a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo” (3, 20). Também o Senhor pede a permissão para entrar! Não esqueçamos isso. Antes de fazer uma coisa em família: “Licença, posso fazê-lo? Agrada-te que eu faça assim?”. Aquela linguagem propriamente educada, mas cheia de amor. E isso faz tão bem às famílias
A segunda palavra é “obrigado”.
Certas vezes é de se pensar que estamos nos tornando uma civilização das más maneiras e das más palavras, como se fossem um sinal de emancipação. Ouvimos dizer isso tantas vezes também publicamente. A gentileza e a capacidade de agradecer são vistas como um sinal de fraqueza, às vezes levanta suspeita. Esta tendência deve ser combatida no seio da própria família. Devemos nos tornar intransigentes na educação à gratidão, ao reconhecimento: a dignidade da pessoa e a justiça social passam por aqui. Se a vida familiar subestima esse estilo, a vida social também o perderá. A gratidão, então, para quem crê, está no coração da fé: um cristão que não sabe agradecer é alguém que esqueceu a linguagem de Deus. É ruim isto! Recordemos a pergunta de Jesus, quando curou dez leprosos e somente um deles voltou para agradecer (cfr Lc 17, 18). Uma vez ouvi dizer de uma pessoa idosa, muito sábia, muito boa, simples, mas com aquela sabedoria da piedade, da vida: “A gratidão é uma planta que cresce somente na terra de almas nobres”. Aquela nobreza da alma, aquela graça de Deus na alma nos impele a dizer obrigada à gratidão. É a flor de uma alma nobre. É uma bela coisa isso.
A terceira palavra é “desculpa”.
Palavra difícil, certo, ainda assim necessária. Quando falta, pequenas rachaduras se alargam – mesmo sem querê-lo – até se tornar rachaduras profundas. Não por nada na oração ensinada por Jesus, o “Pai Nosso”, que resume todas as perguntas essenciais para a nossa vida, encontramos essa expressão: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mt 6, 12). Reconhecer ter faltado e ter o desejo de restituir o que foi tirado – respeito, sinceridade, amor – torna-se digno do perdão. E assim se para a infecção. Se não somos capazes de nos desculpar, quer dizer que nem mesmo somos capazes de perdoar. Na casa onde não se pede desculpa começa a faltar o ar, as águas se tornam estagnadas. Tantas feridas dos afetos, tantas lacerações nas famílias começam com a perda desta palavra preciosa: “Desculpe”. Na vida matrimonial se briga tantas vezes… também “voam os pratos”, mas vos dou um conselho: nunca terminar o dia sem fazer as pazes.
Ouçam bem: vocês brigam, marido e mulher? Filhos com os pais? Brigaram feio? Não é bom, mas este não é o problema. O problema é que este sentimento esteja conosco ainda um dia depois. Por isso, se brigaram, nunca terminem o dia sem fazer as pazes em família. E como devo fazer a paz? Colocar-me de joelhos? Não! Somente um pequeno gesto, uma coisinha faz a harmonia familiar voltar. Basta uma carícia, sem palavras. Mas nunca termine o dia em família sem fazer a paz. Entenderam isso? Não é fácil, mas se deve fazer. E com isso a vida será mais bela. E por isso é suficiente um pequeno gesto.
Estas três palavras-chave da família são palavras simples, e talvez em um primeiro momento nos farão sorrir. Mas quando as esquecemos, não há mais nada de que sorrir, verdade? A nossa educação, talvez, as negligencia um pouco. Que o Senhor nos ajude a colocá-las no lugar correto, no nosso coração, na nossa casa e também na nossa convivência civil. São as palavras para entrar justamente no amor da família

terça-feira, 5 de maio de 2015

Ladainha ao Senhor para alcançar a paciência nas tribulações

Quando julgueis oportuno submeter-me a prova da tribulação, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando me ver cercado por todas as partes de apuros e contrariedades, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando me falte o que mais necessito, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando tenha que sofrer as inclemências do tempo, o rigor das estações, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando sinta arder em meus membros o fogo da febre, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando me veja sumido na enfermidade, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando desejar em vão para meus olhos um sono reparador, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando o mal seque e consuma lentamente minha carne e meus ossos, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando venham a chamar a minha porta as aflições de qualquer classe que sejam, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando interiores desolações tenham obscurecido e nublado meu espírito, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando me veja em perigo de ser vencido pela tentação, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando me veja precisando reprimir a vivacidade de meu caráter, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando por excessivo abatimento me tenha nos olhos a vida, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando me veja feito carga pesada para mim mesmo e para os demais, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando não haja em torno de mim mais que motivos de tristeza, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando me sinta impotente para todo bem, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando a pesar de meus esforços, volte a cair nas mesmas faltas, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando a secura interior pareça extinguir em mim todo fervoroso desejo, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando mil pensamentos importunos venham a distrair-me na oração, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que sofra contradições, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que tenha que lutar com gênios difíceis, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que me humilhem, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que me entristeçam, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que me abandonem meus amigos, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que seja vítima da injustiça, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que me persiga a calúnia, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que me volte o mal pelo bem, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que me digam com insultantes palavras, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Oração: Oh Deus meu, que haveis disto que se salvem vossos escolhidos por meio dos sofrimentos e da Cruz! Ajudai-me a suportar os meus com o Espírito de paciência e resignação de que nos tem deixado vosso unigênito Filho Jesus Cristo tão grandes exemplos, e fazei que em todas as nossas aflições, seja do alma, seja do corpo, repitamos com fé e submissão as ternas palavras que Vos dirigiu Ele em meio de sua dolorosa agonia. Pai meu, não se faça minha vontade, mas sim a vossa!" Amém.

A entrega leva à paz

 


“entrega”: “Um cristão – disse – pode levar avante as tribulações e também as perseguições, entregando-se ao Senhor”. Somente Ele, reiterou o Papa, “é capaz de nos dar a força, de nos dar a perseverança na fé, de nos dar a esperança”:
“Confiar algo ao Senhor, confiar este momento difícil ao Senhor, confiar eu mesmo ao Senhor, confiar ao Senhor os nossos fiéis, nós sacerdotes, bispos, confiar ao Senhor as nossas famílias, os nossos amigos e dizer ao Senhor: ‘Cuida deles, eles são teus”. É uma oração que nem sempre fazemos, a oração de entrega: ‘Senhor, te entrego isto, leva adiante Tu, é uma bela oração cristã. É a atitude de confiança no poder do Senhor, assim como na ternura do Senhor que é Pai”.
Quando esta oração vem do coração, disse o Papa, existe a certeza que é confiada ao Senhor, que é segura: “Ele não decepciona jamais”. As tribulações, refletiu o Papa, nos fazem sofrer, mas “a entrega ao Senhor dá esperança e daqui vem a terceira palavra: a paz”.

Papa Francisco
Homilias de Santa Marta 5-5-2015

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Um coração enamorado e não uma vida cómoda

Sulco
795
"O que é preciso para conseguir a felicidade não é uma vida cómoda, mas um coração enamorado".

S.José Maria Escrivá citado na audiência prévia pelo Papa Francisco 1-IV-2015

Ser escravo e deixar-se limpar

"Na época de Jesus, disse Francisco pronunciando uma homilia sem texto escrito, “era costume, era hábito” lavar os pés dos hóspedes, “porque as pessoas quando chegavam em uma casa tinham os pés sujos de pó da estrada (.....)E na entrada da casa, se lavava os pés. Mas isso não era feito pelo dono da casa, eram os escravos que faziam isso: era trabalho de escravo. E Jesus lava como escravo os nossos pés, os pés dos discípulos. (....)
Jesus é tanto amor que se fez escravo para nos servir, para nos curar (....)Mas no nosso coração devemos ter a certeza, devemos estar certos de que o Senhor, quando lava os nossos pés, nos lava totalmente, nos purifica. Nos faz sentir novamente o seu amor.
 
(....) Mas eu também preciso ser lavado pelo Senhor, e por isso rezem durante esta Missa, para que o Senhor lave também as minhas sujeiras, para que eu me torne mais escravo de vocês, mais escravo no serviço das pessoas, como foi Jesus”, finalizou Francisco. "

Homilia Papa Francisco de 2/4/2015

Quinta-feira Santa

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Humildade e despojar-se

"Este é o caminho de Deus, o caminho da humildade. É a estrada de Jesus; não há outra. E não existe humildade, sem humilhação.

Percorrendo até ao fim esta estrada, o Filho de Deus assumiu a «forma de servo» (cf. Flp 2, 7). Com efeito, a humildade quer dizer também serviço, significa dar espaço a Deus despojando-se de si mesmo, «esvaziando-se», como diz a Escritura (v. 7). Esta – esvaziar-se – é a maior humilhação.

Há outro caminho, contrário ao caminho de Cristo: o mundanismo.
O mundanismo oferece-nos o caminho da vaidade, do orgulho, do sucesso...
É o outro caminho.
O maligno propô-lo também a Jesus, durante os quarenta dias no deserto. Mas Jesus rejeitou-o sem hesitação. E, com Ele, só com a sua graça, com a sua ajuda, também nós podemos vencer esta tentação da vaidade, do mundanismo, não só nas grandes ocasiões mas também nas circunstâncias ordinárias da vida.

Nisto, serve-nos de ajuda e conforto o exemplo de tantos homens e mulheres que cada dia, no silêncio e escondidos, renunciam a si mesmos para servir os outros: um familiar doente, um idoso sozinho, uma pessoa deficiente, um sem-abrigo..."

Papa Francisco

Homilia domingo de Ramos 29-03-2015

Quanto mais se Ama, mais se deseja o sacrifício

«Quanto mais amamos,
mais necessitamos
e desejamos o sacrifício.»
Santa Teresa dos Andes | 1900 - 1920
Carta 121

Presença de Deus

«Dar-nos conta da presença de Deus:
é pensar que Deus e o nosso Anjo da Guarda
estão junto de nós
e vêem o que fazemos
e as intenções com que operamos.»

Serva de Deus Irmã Lúcia de Jesus | 1907 - 2005
Apelos da Mensagem de Fátima, cap. 8

Expiação voluntária

«A expiação voluntária
é o que nos une mais profundamente
e de um modo real e autentico
com o Senhor.
E essa
nasce de uma união já existente com Cristo…
Só pode aspirar à expiação
quem tem abertos os olhos do espírito
ao sentido sobrenatural dos acontecimentos do mundo;
isto é possível
apenas nos homens em que habita o Espírito de Cristo,
que como membros da Cabeça
encontram n’Ele a vida, a força,
o sentido e a direcção.»

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) | 1891 – 1942
Obras 259

Morrermos para nós mesmos

«“Um abismo clama por outro abismo.”É aí, no mais profundo,
que se operará o choque divino,
que o abismo do nosso nada,
da nossa miséria,
se encontrará frente a frente
com o Abismo da misericórdia,
da imensidade do tudo de Deus.
É aí que havemos de encontrar a força
de morrermos para nós mesmos
e que, ao perder o nosso próprio rasto,
seremos transformados em amor...
“Bem-aventurados os que morrem no Senhor!”»

Beata Isabel da Trindade | 1880 - 1906
O Céu na Terra, 4

O sinal de Deus em nós

«O sinal pelo qual reconhecemos
que Deus está em nós
e que o Seu amor nos possui,
é o de receber não só com paciência,
mas com reconhecimento,
o que nos fere e faz sofrer.
Para chegar aí,
é preciso contemplar o Deus crucificado por amor,
e esta contemplação, se for verdadeira,
conduz infalivelmente ao amor do sofrimento.
É como tal que se agrada a Deus
e se avança nos caminhos do amor.»

Beata Isabel da Trindade | 1880 - 1906
Carta 314

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Deixar que o Amor de Deus queime as nossas tibiezas e misérias

«Espantava-me depois,
como, em vindo este fogo de verdadeiro amor de Deus,
que dir-se-ia vir do alto –
pois por mais que eu queira e procure e me desfaça por ele,
a não ser quando Sua Majestade o quer dar,
como de outras vezes já tenho dito,
nada sou nem posso para conseguir sequer uma centelha
–, parece que consome o homem velho nas suas faltas,
tibiezas e miséria
.
E, à maneira do que sucede à ave fénix, que
– segundo tenho lido –,
depois que se queima renasce das próprias cinzas,
assim a alma fica depois outra,
com desejos diferentes e grande fortaleza.
Não parece ser a mesma de antes;
mas começa, com pureza nova,
o caminho do Senhor.
»

Santa Teresa de Jesus | 1515 – 1582
Livro da Vida. 39, 23

As núpcias com Cristo na Cruz

«Muitos são aqueles
que sentem a voz do Senhor
e vão atrás dela,
mas nem todos têm a força
de a seguir até ao fim,
porque Jesus celebra as Suas núpcias com a alma
sobre a Cruz,

e à Cruz não se chega,
senão percorrendo o caminho do Calvário.»


Beata Maria Josefina de Jesus Crucificado | 1894 - 1948
Scritti vari, p.64

Aguardar com paciência na tribulação

«Se a tribulação não te falta,
abraça-a!
Mas espera e aguarda com paciência
o divino socorro,
que não faltará!»


Beata Maria Cândida da Eucaristia | 1884 - 1949
Novenas, Pensamentos e Poesias. 33

Morrer para si mesmo

«Esta doutrina de morrer para si mesmo,
que entretanto constitui a lei
de toda a alma cristã,
desde que Cristo disse:
“Se alguém quiser vir após mim
que tome a sua cruz e renuncie a si próprio”,
esta doutrina,
apesar de parecer tão austera,
é duma suavidade deliciosa,
quando se olha para o termo desta morte,
que é a vida de Deus,
colocada em vez da nossa vida
de pecado e de misérias
.
É o que São Paulo queria dizer,
quando escrevia:
“Despojai-vos do homem velho
e revesti-vos do novo,
segundo a imagem d’Aquele que o criou.”
Esta imagem é o próprio Deus.»


Beata Isabel da Trindade | 1880 - 1906
A Grandeza da nossa vocação, 3

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